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De vez em quando, alguém comenta na minha página do face que eu só sou bem casada porque tenho dinheiro, e que ela, por ser pobre, não tem o mesmo luxo de ter um marido fiel como o Renato.

Eu pergunto: Então, quer dizer que um casamento feliz pode ser comprado?

Quando nos casamos há 26 anos, eu tinha acabado de terminar o segundo grau e nem conta bancária eu tinha ainda. Na noite do meu casamento, recebi muitos presentes, mas não cheguei a usar nem um sequer. Aliás, nem cheguei a passar uma noite no nosso novo lar. O apartamento que eu havia decorado com a ajuda da minha mãe e todos os presentes que lá ficaram foram para um outro casal desfrutar.

Voltamos de uma curta lua de mel de quatro dias e logo fomos transferidos para Nova York. Eu com uma malinha de roupa, e ele com outra. Chegando lá, longe da minha família e de minhas amigas, tive de aprender a viver sozinha.

A igreja era localizada no Brooklyn, na época, um bairro bem perigoso. Por estar também responsável pela escolaridade do meu irmãozinho de 6 anos, o Moysés, morávamos a uma hora da igreja para que ele pudesse estudar em uma escola menos perigosa. Tive de me acostumar com a nova vida de casada e de “mãe”.

Logo depois, meu pai foi preso, e se eu saísse dos Estados Unidos para ir vê-lo, meu marido não iria conseguir o green card de que tanto precisava para trabalhar no país. Tive de aguentar a dor de saber que meu pai estava sendo injustiçado lá de longe e me fazer de forte para o meu marido e irmãozinho.

Foi ali que comecei a colecionar desertos…

Sem amigas para desabafar, quando tentava me aproximar de alguém, era facilmente julgada pelo que dizia. Aliás, isso acontece até hoje, mas já me acostumei.

Na época, por ser recém-casada e filha do bispo Macedo, ninguém dava nada por mim e, para piorar a situação, eu era a insegurança em pessoa. Ficava vermelha, suava e meus olhos se enchiam d’água toda vez que tentava me expressar de alguma forma. Quando falava, ou tinham pena ou zombavam de mim, e quando não falava nada, me julgavam ser metida.

Comecei a buscar no Renato essa amizade que não achava ao meu redor e foi onde mais doeu… ele não tinha tempo para mim, nem paciência. Além de passar o dia todo longe de mim, chegava em casa e só queria comer e descansar. Me sentia um verdadeiro zero à esquerda…

Tentava falar com a minha mãe às vezes, as poucas que nos comunicávamos por telefone (ligação internacional na época era caríssima), mas ela sempre me cortava dizendo que eu tinha de me acostumar com a vida que havia escolhido, ser esposa de pastor… mas eu não conseguia me expressar direito e creio que ela acabava entendendo errado, como se eu tivesse reclamando – quando na verdade tudo que eu queria era também servir para alguma coisa…

Anulada, mal interpretada, filhinha de papai, metidinha, e chatinha foram alguns dos rótulos que ganhei na época. E como se não bastasse, comecei a aceitar tudo o que os outros me faziam sentir a meu respeito… comecei a me ver com maus olhos…

Mas foi bom para mim. Tudo foi bom. Deus usou tudo que aconteceu comigo nessa época para eu amadurecer e desenvolver a minha fé. Todas as injustiças que sofri, e ainda sofro, foram e são sempre bem recompensadas por Aquele a Quem sirvo mais a cada ano que passa.

Essa semana, faço 26 anos de casada para a honra e glória dEle. E não, não foi por causa de quem eu era filha, nem pelos bens que supostamente tinha. Não, não foi a minha beleza nem a minha sabedoria que me proporcionaram a felicidade que tenho hoje.

Não dependi de dinheiro, nem de carreira, nem de estudos, nem de beleza, nem de bens, nem de popularidade, nem de amizades, nem de grupos, nem de fama – dependi da minha fé…aquela fé, pequenininha, fraquinha, insignificante que eu tinha lá atrás quando nasci de Deus. Ela tinha de passar por várias provas para me dar o sustento de hoje poder comemorar mais um ano de casamento ao lado do homem que amo.

Graças a Deus pelas lutas, pelas lágrimas, pelos mal-entendidos, pelas injustiças, pela solidão, pelas dificuldades, pelos sacrifícios, pelos dias ruins, pelas fofocas, pelos julgamentos, pelas inimizades, pelas calúnias, e tudo de ruim que passei até hoje. Tudo me tornou prova viva da seguinte promessa:

“Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé.” 1 João 5:4

Na fé.

Colaborou: Cristiane Cardoso

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